Previdência no mundo

Previdência privada não acompanha o aumento da expectativa de vida no mundo

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No projeto inicial da reforma da Previdência o governo propunha a adoção no Brasil do modelo privado de previdência adotado no Chile, que paga aposentadorias miseráveis e só cobre a aposentadoria por idade, deixando o trabalhador e seus familiares desprotegidos na doença, na invalidez, na maternidade e na morte. O texto de Bolsonaro / Paulo Guedes, no artigo dedicado à previdência privada, se referia “ao risco de longevidade do segurado”. Como veremos a seguir no artigo que publicamos, a vida longa da população tornou-se um “problema” para a previdência privada, já que os valores nos fundos individuais não cobrem a expectativa de vida da população.

TRABALHADOR POUPA POUCO PARA GARANTIR A APOSENTADORIA

Valor Econômico – 14/06/2019

Um dos principais problemas enfrentados pelos aposentados é garantir que o seu dinheiro poupado dure tanto quanto eles. Dos EUA à Europa, Austrália e Japão, o saldo dos planos de aposentadoria individuais não têm crescido tanto quanto o aumento da expectativa de vida, alerta do Fórum Econômico Mundial em relatório divulgado ontem. Como resultado, os trabalhadores podem viver dez anos ou mais além da duração de suas economias. “O tamanho da lacuna é tal que exige ação” das autoridades, dos empregadores e dos trabalhadores, segundo Han Yik, coautor do estudo e chefe da área de investidores internacionais do Fórum Econômico Mundial.

A menos que haja mais empenho, os idosos terão de passar a viver gastando menos ou adiar a aposentadoria, disse. “Ou você gasta menos ou você ganha mais.” Nos EUA, as pessoas com 65 anos têm economias suficientes para cobrir apenas 9,7 anos da renda da aposentadoria, segundo cálculos do Fórum. Isso deixa o homem americano médio com uma lacuna de 8,3 anos. As mulheres, que vivem mais, se deparam como uma diferença de 10,9 anos.

O Fórum leva em conta que os aposentados precisariam de renda suficiente para cobrir 70% de sua remuneração prévia à aposentadoria e não inclui na conta a Previdência Social nem outros benefícios sociais do governo. No Reino Unido, na Austrália, no Canadá e na Holanda, a diferença entre a duração estimada do dinheiro poupado pelos aposentados e a expectativa de vida está em cerca de dez anos, segundo o estudo.

Para as mulheres nesses países, a diferença é de dois a três anos a mais de incerteza financeira. Ainda assim, a maioria dos os aposentados nesses países está em situação confortável em comparação com os do Japão, onde a lacuna é de 15 anos para os homens e quase 20 anos para as mulheres. Embora os trabalhadores japoneses não poupem menos que os outros, eles costumam investir em ativos muito seguros, que rendem menos ao longo do tempo, segundo Yik. Por isso, as economias médias no Japão bastam para cobrir apenas 4,5 anos de aposentadoria. Além disso, a expectativa de vida da mulher japonesa é de 87,1 anos, a maior no mundo, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

E a do homem é de 81 anos. Governos e empregadores ao redor do mundo têm transferido mais responsabilidade pela aposentadoria aos trabalhadores, passando das aposentadorias tradicionais para planos de contribuição definida, pelos quais o aposentado recebe de acordo com o que ele poupou. “Todos os riscos que governos e empregadores costumavam ter, estamos transferindo para os trabalhadores”, disse Yik.

A defasagem coletiva da poupança dos aposentados pode superar os US$ 400 trilhões em 2050, ante os US$ 70 trilhões de 2015, segundo o estudo. A maior diferença seria nos EUA, de US$ 137 trilhões, seguidos por China (US$ 119 trilhões) e Índia (US$ 85 trilhões). Uma das recomendações do Fórum Econômico Mundial é garantir que mais trabalhadores sejam cobertos por planos de aposentadorias no trabalho.

Os empregadores deveriam se empenhar mais para melhorar as opções de investimento e estimular os trabalhadores a poupar uma parte suficiente de sua renda, diz o relatório. Na terça-feira, o Vanguard Group divulgou o relatório “Como os EUA Poupam 2019”, mostrando que em menos de metade de 1.900 planos de aposentadoria analisados, os trabalhadores são inscritos automaticamente. Essa proporção, no entanto, vem subindo rapidamente. Em 2009, eram 24%. Em 2018, dobrou para 48%.

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